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Testes não são vacina. Profissionais dos lares têm responsabilidade acrescida

17/06/2020
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“Os testes não são uma vacina. Os testes não são um tratamento”, disse esta quarta-feira a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, destacando que “as pessoas que são testadas, nomeadamente funcionários de lares, têm uma obrigação ainda maior de, depois de terem testado negativo, se protegerem e protegerem os outros”.

Lembrando que os testes “são apenas uma fotografia do momento”, a especialista em saúde pública reforçou que os trabalhadores dos lares que testam negativo têm de continuar a “utilizar equipamentos de proteção individual, promover boas práticas entre os utentes e cumprir tudo o que está nas orientações” de forma a minimizar o risco de infeção por COVID-19.

Em declarações aos jornalistas na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia, a responsável alertou que “quem é testado negativo hoje, pode ficar positivo e pode transmitir a infeção”.

Por isso, sublinhou, “os trabalhadores dos lares que tiveram a oportunidade de ser testados têm uma responsabilidade acrescida de se manterem não infetados e de não transmitirem a infeção a utentes que são vulneráveis”.

Para Graça Freitas, “temos que apostar muito em prevenção, em educação para saúde”, porque “as pessoas idosas estão circunscritas a um ambiente fechado e, obviamente, se são infetadas é porque alguém do exterior [do lar] traz essa infeção – e muitas vezes são, de facto, os profissionais”.

Sendo “responsáveis pela saúde de pessoas debilitadas, vulneráveis e com uma probabilidade de ter doença mais grave”, os funcionários dos lares têm “uma responsabilidade acrescida”.

“O vírus continua a circular em Portugal e em todo o mundo. Infelizmente, o vírus não desapareceu”, frisou a Diretora-Geral da Saúde.

Sobre o surto que ocorreu em Lagos, no âmbito de uma festa ilegal, a responsável deixou um aviso: “Temos todos muita vontade de conviver, de voltar à nossa vida normal, mas temos que ter muito cuidado com as manifestações que envolvem contacto físico muito próximo e durante bastante tempo”.

Questionada sobre a utilização de termómetros para medir a temperatura, a responsável pela Direção-Geral da Saúde destacou que “não chega a falsa sensação de segurança de se usar um termómetro”.

“Têm que se comprar termómetros de qualidade, que estejam autorizados devidamente, bem calibrados e que sejam bem utilizados”, afirmou, lembrando que “tudo tem uma técnica”.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado hoje pela Direção-Geral da Saúde, Portugal registou mais 336 casos confirmados de COVID-19 nas últimas 24 horas, ou seja, mais 0,9%, o que eleva para 37.672 o número total de infetados.

Por outro lado, contabilizam-se mais 368 casos de recuperação da doença no país, que soma agora 23.580 pessoas curadas, ou seja, 62.6% dos casos confirmados.

Nas últimas 24 horas ocorreu mais um óbito relacionado com a pandemia, pelo que o país conta agora com 1.523 mortes.