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Rede hospitalar pronta para receber doentes com COVID-19

A maior parte dos hospitais portugueses já estão preparados para receber doentes com COVID-19 e os centros de saúde estão também a criar as suas áreas dedicadas a estes doentes, adiantou nesta quinta-feira a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa.

“Neste momento temos praticamente toda a rede hospitalar já pronta para poder receber doentes. Isso significa criar circuitos dentro do próprio hospital, em que os doentes são divididos em dois grandes grupos [com e sem sintomas]”, esclareceu Graça Freitas, destacando que o objetivo é que os doentes “não se juntem e não se contagiem”.

Reforçando a mensagem transmitida na quarta-feira, a Diretora-Geral da Saúde sublinhou que Portugal vai passar a ter um novo modelo de atendimento no surto de Covid-19, com quem apresentar sintomas ligeiros ou moderados a ser seguido em casa. Neste momento, adiantou, dos 785 doentes com COVID-19 no país, apenas 89 estão internados, ou seja, 15%.

“Muitos de nós, porque pode ser qualquer um, vamos ter sintomas ligeiros a moderados […]. Devemos ligar para o SNS24 e seremos seguidos no nosso domicílio, como já estão a maioria dos doentes à data”, afirmou, adiantando que, em domicílio, os doentes serão acompanhados pelo médico de família, enfermeiro, médico assistente ou delegado de saúde. Se houver um agravamento do estado de saúde, assegurou, o doente “sairá do seu domicílio e irá para um serviço de saúde”.

Quem está em domicílio, alertou Graça Freitas, deve ter todos os cuidados necessários para não contagiar o agregado familiar, porque esse risco existe. Estas pessoas, adiantou, “vão ter acesso a testes para se decidir se estão ou não curadas e se podem voltar à sua vida normal”.

Para os profissionais de saúde, revelou, sairá nesta quinta-feira uma norma, feita de acordo com a evidência científica disponível até à data. “A ideia é proteger os profissionais de saúde, que são um ativo muito importante, e impedir que contagiem outros doentes”, afirmou a Diretora-Geral.

Questionada sobre a massificação dos testes, que já foi adotada por alguns países, a Diretora-Geral da Saúde disse que essa hipótese não está descartada, mas a “prioridade é testar pessoas sintomáticas” e é necessário ter em conta a “questão da disponibilidade dos testes”. Assegurou, no entanto, que “sempre fará o teste aquele que mais necessite”.

Relativamente ao facto de só existirem três pessoas recuperadas da doença até ao momento, Graça Freitas explicou que “ao contrário da gripe, que ao fim de cinco a seis dias se encerra, esta doença tem um período de evolução longa”, pelo que “só a partir de agora é que começaremos a ter altas e pessoas recuperadas”.

Depois de apresentar os números do boletim epidemiológico diário, o Secretário de Estado da Saúde, António Sales, deixou um apelo: “Os grupos de risco têm mesmo de ficar em casa. Pessoas com mais de 70 anos ou com doenças crónicas (diabéticos, hipertensos, insuficientes cardíacos, doentes oncológicos ou outros doentes imunodeprimidos) não devem sair de casa”.
Destacando que a declaração de estado de emergência (feita nesta quarta-feira) “deixa-nos ainda mais alerta”, António Sales garantiu que o Governo está a trabalhar “em todas as frentes de combate ao surto, melhorando a resposta em todos os níveis de cuidados de saúde: primários, hospitalares e continuados”.