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Portugal recebe mais 700 mil máscaras e 200 mil testes

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“A grande preocupação do Ministério da Saúde é testar, isolar, proteger e tratar, sempre de acordo com as orientações da Direção-Geral da Saúde”, adiantou esta manhã o Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, destacando que Portugal irá receber hoje mais 700 mil respiradores FFP2 e 200 mil testes à COVID-19.

Na semana passada, lembrou, o país recebeu 66 mil testes, 5.2 milhões de máscaras cirúrgicas e 1.2 milhões de respiradores FFP2, entre outros equipamentos, estando prevista a chegada de 100 toneladas de Equipamentos de Proteção Individual nos próximos dias. Até ao dia 25 de março, avançou, os laboratórios públicos e privados já realizaram 36.677 testes à COVID-19, o que revela um “aumento significativo” da testagem no país.

António Lacerda Sales falava aos jornalistas na conferência de imprensa de apresentação dos dados da COVID-19, que até à meia-noite desta segunda-feira infetou 6.408 pessoas em Portugal, mais 7,5% do que no dia anterior, e provocou 140 óbitos.

Lembrando que “este vírus não dá tréguas”, o governante agradeceu aos portugueses que têm sido “exemplares no seu comportamento cívico” e deixou um aviso aos restantes: “Aos que hesitam em seguir esta conduta tentados por uma manhã de sol ou pela falsa ideia de invencibilidade, lembrem-se que ficar em casa é salvar vidas”.

Também presente na conferência de imprensa, Carlos Veríssimo, Diretor do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo e membro da direção do Colégio da Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos, deixou algumas recomendações para as grávidas, que em breve serão publicadas numa norma elaborada pela DGS.

“O risco de se infetarem é semelhante ao da população em geral, mas há um maior risco clínico se contraírem a doença”, destacou o responsável, apelando à “contenção social” recomendada pela DGS, que implica, por exemplo, teletrabalho. Carlos Veríssimo adiantou que as grávidas assintomáticas COVID-19 ou com ligeiras queixas devem preferencialmente ser acompanhadas diariamente no domicílio, se existirem condições para isso, recorrendo à teleconsulta e telechamada.

Entre as medidas sugeridas, Veríssimo destacou que o parto deve ser feito em salas de isolamento, com os profissionais equipados com EPI, e lembrou que “o acompanhamento por terceiros não é de todo recomendado”. “É uma situação avaliada caso a caso, mas não é de todo recomendado”, sublinhou, acrescentando que o contacto pele a pele (entre a mãe e o bebé) é completamente desaconselhado, e devem ser testados todos os recém-nascidos.

Por outro lado, o presidente do Colégio da Especialidade considera que devem ser tomadas “algumas atitudes polémicas”, como a separação da mãe e do bebé e a não recomendação do aleitamento materno.

A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, relembrou que a causa da morte da criança, de 14 anos, infetada com COVID-19 “está ainda em investigação”. “Tudo aponta num determinado sentido”, mas temos que ter “muita cautela” na análise, ressalvou.

Questionada sobre os testes, a Diretora-Geral avançou que “as pessoas que estão a aguardar testes vão aguardar com toda a tranquilidade, porque o que decide o seu tratamento não é teste”, mas sim os sintomas. Se são suspeitas, explicou, têm que ficar em casa, onde vão ser acompanhadas por profissionais de saúde. Quando o estado se agrava, devem procurar a linha SNS24 ou o 112.

Sobre os lares de idosos, Graça Freitas afirmou que “os trabalhadores serão todos e progressivamente testados, porque se identificar alguém positivo e assintomático, é logo isolado do circuito”. Esse é o grande objetivo de testar todos os profissionais, referiu, destacando que a Saúde vai testar de acordo com critérios de risco populacional. Enquanto os profissionais que testarem positivo saem do atendimento, os que testam negativo, “se continuarem a fazer atendimento aos utentes, terão de usar material de proteção individual para não contagiar se forem um falso negativo.”