Voltar

Portugal duplica capacidade de ventilação para responder à COVID-19

02/04/2020
hospital banner

O Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, avançou esta quinta-feira que o Estado português está “em condições de duplicar a capacidade de ventilação” do país, através de “ofertas, compras e empréstimos” de ventiladores.

Na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia de COVID-19, o governante adiantou que, além dos 900 ventiladores que foram adquiridos pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), o SNS recebeu uma oferta de 400 ventiladores e o empréstimo de mais 140.

Também presente na conferência, João Gouveia, presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, disse que os ventiladores vão ser distribuídos pelos hospitais mediante “critérios pré-estabelecidos”, relacionados com a necessidade das unidades, a urgência dos ventiladores e a sobrecarga que já existe nos serviços.

Para António Sales, na altura em que se renova o Estado de Emergência, é importante “manter a malha apertada ao novo coronavírus”, seja através da “contenção social”, seja robustecendo os mecanismos de resposta do SNS. Nesse sentido, prosseguiu, foram encomendadas 400 mil zaragatoas, das quais 80 mil chegam amanhã, e está prevista a chegada de mais 200 mil testes na próxima semana, bem como de milhões de máscaras (cirúrgicas e FFP2). Desde o dia 1 de março, referiu, foram realizados mais de 70 mil testes.

A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, diz que os critérios para a realização dos testes mantêm-se. Quem tem indicação para fazer teste, explicou, são as pessoas que apresentam sintomas e, em segunda linha, aquelas que tiveram contacto com elas, sobretudo em lares de idosos. “São as pessoas prioritárias para podermos fazer isolamento”, referiu.

Questionada sobre o pico da epidemia em Portugal, Graça Freitas afirmou que “estamos a subir a curva, ainda estamos em ascendência”, embora esta não seja “exponencial”. “Temos tido uma subida relativamente aplanada, mas não sabemos quando vai ser o pico com certeza. Quanto mais lenta for a progressão, mais para a frente irá o pico”, esclareceu, ressalvando que não será propriamente um pico, mas um planalto. “Só saberemos que estivemos no pico quando começarmos a descer, e mesmo assim não dá para ver logo nos primeiros dias”.

A grande preocupação neste momento, destacou a Diretora-Geral, é “saber o número de doentes que temos por semana, para termos a certeza de que conseguimos tratar adequadamente”. O objetivo, sublinhou, “é tratar bem os doentes”.

De acordo com o último boletim epidemiológico da DGS, o país regista 9.034 infetados por COVID-19 (mais 783), 209 mortes associadas à infeção (mais 22) e 68 casos de recuperação (mais 25).

Entre os infetados, esclareceu António Sales, há 1.124 profissionais de saúde: 206 médicos, 282 enfermeiros e 634 outros profissionais.