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Pico de COVID-19 esperado para o final de maio

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A Ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou este sábado que a incidência máxima da infeção COVID-19 em Portugal “estará adiada para o final de maio”. Na conferência de imprensa de atualização diária dos dados sobre a epidemia, a responsável destacou que “isto indicia que as medidas de contenção que todos temos adotado, designadamente ficar em casa a não ser para ir trabalhar, estão a ser efetivas”.

No entanto, alertou a Ministra, “continuamos a estimar que venhamos a ter um número muito elevado de casos de infeção COVID”, o que “coloca uma enorme pressão sobre o sistema de saúde português”. Por isso, “temos que fazer o que está ao nosso alcance para enfrentar o melhor possível aquilo que nos espera”.

A Diretora-Geral da Saúde explicou que “o pico da pandemia não vai ser um dia apenas, mas sim um planalto com casos semelhantes durante vários dias”. Segundo Graça Freitas, “conseguimos já projeções a uma semana, o que é muito importante para fazermos planeamento”. Contudo, “não são coisas públicas, não por falta de transparência, mas porque têm um objetivo muito concreto e podem ou não realizar-se”.

Tudo indica, disse a Diretora-Geral da Saúde, que “as medidas de contenção que foram tomadas a nível social, nomeadamente o distanciamento, estão, de facto, a abrandar a curva, o que era um dos grandes objetivos”.

“Temos de estar preparados para um número superior de casos, sendo que isso vai sempre depender do que conseguirmos baixar a pressão do vírus e do que o vírus vai contrariar, que é tentar infetar mais pessoas. É uma luta, um esforço diário do SNS, do sistema de saúde e da sociedade”, referiu Graça Freitas.

Nesta fase, disse a Ministra, o objetivo é reduzir a transmissão da infeção e mitigar os efeitos da doença. “Como sabem, recebemos e estamos a distribuir equipamentos de proteção individual”, adiantou Marta Temido, apelando a uma utilização criteriosa das máscaras e de outros equipamentos “para garantir que aqueles que de facto precisam os têm disponíveis”. Isto porque, lembrou, o mercado mundial enfrenta uma grande escassez destes materiais. Sobre este tema, a Ministra agradeceu as doações e lembrou que Portugal tem recebido muito material médico nos últimos dias.

“Recebemos e estamos a alargar a utilização de testes para deteção da infeção”, assegurou a responsável, lembrando que a prescrição pelo SNS24 iniciada na quinta-feira levou a um aumento dos testes realizados. “Chegaram 60 mil testes e foram doadas várias zaragatoas”, avançou também a Ministra, agradecendo a quem faz as compras destes materiais.

No final da sua intervenção inicial, Marta Temido deixou um apelo: “Hoje está sol, é sábado, mas não é um dia comum. O número de doentes que vamos ter depende do comportamento de cada um de nós. Temos de viver esta Primavera e esta Páscoa de uma forma diferente. Não vamos poder estar juntos como gostávamos, mas isso é essencial para que possamos voltar a estar juntos”.

Também presente na conferência de imprensa, Sandra Cavaca, vogal dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), adiantou que Portugal vai receber 100 toneladas de testes e equipamento de proteção individual (máscaras, luvas, fatos, entre outros) no início da próxima semana.

Já Rui Santos Ivo, presidente do INFARMED, revelou que, além do reforço que vai chegar da China, haverá um outro reforço de equipamentos feito com recurso à indústria nacional. “Já temos unidades disponíveis para produzir máscaras, luvas, batas, fatos, viseiras e zaragatoas”, esclareceu.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), Portugal regista hoje 5.170 casos de infeção por COVID-19, 100 mortes associadas à doença e 43 pessoas recuperadas.