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Menos atividade física, mas com novos padrões, e mais consumo de snacks doces, fruta e hortícolas

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Os portugueses praticaram menos atividade física e aumentaram o consumo de snacks doces, frutas e hortícolas durante o período de confinamento no âmbito da pandemia de COVID-19. Estas são algumas das conclusões do Inquérito Nacional sobre os comportamentos alimentares e de atividade física durante o período de confinamento social, realizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), em parceria com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, cujos resultados são publicados hoje.

O estudo foi feito com base em dados recolhidos entre 9 de abril a 4 de maio, com uma amostra de 5.874 indivíduos (com 16 ou mais anos) em confinamento, através de questionário online e inquérito telefónico. Versou sobre comportamentos alimentares e de atividade física, mas também incidiu no acesso a informação sobre as duas dimensões comportamentais.

Durante este período, 45,1% dos inquiridos relatou ter mudado os seus hábitos alimentares, dos quais 41,8% afirmou ter sido para pior. As razões parecem concentrar-se nas alterações da frequência ou do local de compras dos alimentos (34,3% e 10,6%, respetivamente), e por alterações do horário de trabalho (17,6%). Um segundo conjunto de razões está associado ao stresse vivido (18,6%) e a mudanças no próprio apetite (19,3%).

O receio da situação económica (10,3%) foi um determinante das alterações alimentares neste período: um em cada três portugueses (33,7%) manifestou preocupação quanto a uma possível dificuldade no acesso a alimentos e 8,3% indicou mesmo ter dificuldades económicas no acesso.

Os inquiridos passar a comer mais em casa (mais de metade dos inquiridos referiu ter cozinhado mais), reduzindo o consumo de refeições pré-preparadas (40,7%) ou take-away (43,8%). Por um lado, afirmaram ter consumido mais snacks doces (30,9%); por outro lado, referiram ter aumentado do consumo de fruta (29,7%) e hortícolas (21%), tendo passado também a petiscar mais frequentemente (31,4%). Alguns destes comportamentos, associados ao aumento dos níveis de sedentarismo, podem explicar a perceção de peso aumentado durante este período (26,4% da amostra).

Relativamente à prática de atividade física (AF), os dados apontam para um quadro em que 60.9% da população inquirida reporta níveis baixos de AF, 22,6% são moderadamente ativos e 16.5% reporta níveis de AF elevados. Quando comparados estes resultados com estudos populacionais anteriores, a prevalência de pessoas com níveis baixos de AF praticamente duplicou.

Durante o confinamento, 53,6% dos inquiridos perceciona ter diminuído a prática de AF, 28% afirma ter mantido e 18,5% aumentado. A duração do tempo em situação de confinamento parece ter também um efeito particular na prática: Nas mulheres observa-se uma diminuição da prática de atividade física naquelas que estão há mais tempo em confinamento. A tendência parece ser a oposta para os homens.

Entre as principais atividades praticadas, sublinham-se, no que diz respeito à prática de AF mais estruturada, a caminhada (32,3%), atividades de fitness (25,4%), treino de força (18%) e a corrida (14,1%). Há diferenças significativas entre homens e mulheres, com os homens a praticarem mais treino de força e corrida e as mulheres a indicarem mais atividades de fitness. Quanto às AFs não estruturadas, 70% da amostra refere tarefas domésticas e 50% subir/descer escadas – um comportamento que não era a escolha habitual.

No que diz respeito à literacia em saúde, 78,8% dos portugueses referiu ter procurado informação sobre saúde e cuidados de saúde (81,4% mulheres e 75,7% homens) e quase metade (44,5%) referiram procurar mais informação durante o período de confinamento. Dos 45,3% que tiveram acesso às orientações produzidas pela DGS na área da alimentação, 77,6% consideram que foram úteis ou muito úteis neste contexto. Em relação à AF, 55,2% dos portugueses mencionaram ter acesso às orientações produzidas pela DGS nesta área, sendo que desses 69,3% consideraram-nas, úteis ou muito úteis.

Verificou-se que vários comportamentos foram alterados de forma combinada. Foi possível identificar dois padrões de mudança de comportamentos (e de características sociodemográficas): um padrão de risco e mum padrão protetor da saúde.

Consulte o relatório – REACT-COVID: Inquérito sobre alimentação e atividade física em contexto de contenção social.