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Luvas dão falsa sensação de segurança, alerta Diretora-Geral da Saúde

A Diretora-Geral da Saúde alertou este domingo que o uso indevido de material de proteção “pode ser contraproducente e dar até uma falsa sensação de segurança” na proteção contra a COVID-19. Relativamente às luvas, Graça Freitas explicou que “os vírus e as gotículas ficam na sua superfície” pelo que “se forem usadas frequentemente e seguidamente, só estão a acumular potencialmente vírus de diversas origens”.

Na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia, a Diretora-Geral da Saúde insistiu que se as luvas “forem levadas à cara, à boca, aos nariz ou aos olhos, os vírus são transmitidos”. A melhor medida de proteção contra a infeção provocada pelo novo coronavírus é, segundo a responsável, “a lavagem frequente [das mãos] e, no intervalo da lavagem, tentar não tocar na cara, sobretudo na boca, no nariz e nos olhos”.

Questionada sobre o perfil das pessoas internadas em Cuidados Intensivos (276 de um total de 11.278 casos de infeção), Graça Freitas explicou que a maioria são pessoas idosas. Por outro lado, destacou, está também a ser feito um acompanhamento próximo às crianças, que têm recuperado bem da infeção.

“As crianças que são internadas, mesmo as que entram com um quadro clínico grave e complexo, têm tido uma capacidade enorme de recuperação e a maior parte está já no seu domicílio”, adiantou, destacando que “muitas já foram dadas como curadas”. Já nos jovens adultos, “a sua ida para unidades de Cuidados Intensivos tem sido sobretudo determinada pela sua condição de base”.

A Ministra da Saúde, Marta Temido, relembrou que o país se prepara para contar com mais 1.538 ventiladores (85% dos quais com capacidade invasiva), que se juntam aos 1.142 que os hospitais contabilizavam antes do início da epidemia.

Admitindo uma pressão sobre o internamento hospitalar no SNS, a Ministra da Saúde apelou a que haja um esforço “de articulação de toda a estrutura social para que os hospitais sejam reservados para os casos graves e estados críticos”, para que “o sistema seja usado de forma eficiente”.

Marta Temido alertou ainda para os grupos mais vulneráveis, como os idosos, as pessoas com comorbilidades e os mais pobres, para as quais é necessário encontrar respostas: “Cada um deles podia ser a nossa mãe, o nosso pai, o nosso avô ou a nossa avó”.