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Limpar as ruas com desinfetante não é eficaz

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“Não está provado que seja eficaz usar desinfetante em grandes superfícies como ruas ou ao ar livre, antes pelo contrário”, disse este domingo a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa de atualização dos dados sobre a pandemia de COVID-19.

Questionada sobre o alerta da Organização Mundial de Saúde, que refere que pulverizar ou fumigar desinfetante nas ruas não elimina o vírus e coloca riscos sanitários, a responsável lembrou que a Direção-Geral da Saúde (DGS) já tinha dado uma recomendação nesse sentido.

Além de o desinfetante nas ruas não ter “grande eficácia sobre o vírus”, a especialista afirmou que, atendendo ao tipo de transmissão do novo coronavírus, a probabilidade de existir vírus numa rua ou num passeio “é pequena”. Por outro lado, “como alguns dos produtos utilizados podem ter efeitos negativos não só no ambiente como na saúde das pessoas, a DGS não recomenda”.

No entanto, advertiu, “completamente diferente é a desinfeção de superfícies como esta mesa ou superfícies onde o vírus possa existir em grandes quantidades”. E, por outro lado, deve ser mantida a higienização normal dos locais públicos: “Contra a higienização da via pública não temos nada contra”.

Em declarações aos jornalistas, a responsável disse também que “é melhor estarmos preparados para que este vírus se venha a tornar um vírus habitual nas nossas vidas”.

“Se não sofrer mutações importantes, o que vai acontecer é que com o passar do tempo – quer exista vacina quer não – os seres humanos vão ganhando imunidade e à medida que ganhamos imunidade, o vírus torna-se menos agressivo e capaz de nos fazer mal e de originar doença grave”, explicou.

Graça Freitas lembrou que “só tivemos uma vez o desaparecimento da circulação de um vírus no nosso planeta, que foi em 1980, porque se usou maciçamente à escala planetária a vacina contra a varíola”. Portanto, concluiu, “se tivermos vacina, melhor. Se não tivermos, vamos ter que conviver com o vírus até ter imunidade natural”.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado pela Direção-Geral da Saúde, Portugal registou um aumento de 814 casos de recuperação, pelo que o país tem agora 4.636 pessoas recuperadas da infeção provocada pelo novo coronavírus.

Segundo a atualização, Portugal contabiliza 29.036 casos confirmados da doença, mais 226 do que no dia de ontem, o equivalente a um aumento de 0.8%.

Por outro lado, registam-se 1.218 óbitos relacionados com a COVID-19, sendo que a taxa de letalidade de situa nos 4.2% para a população em geral e nos 15.6% na faixa acima dos 70 anos.

Do total de casos confirmados, 77.6% encontram-se em domicílio e 649 casos em internamento, dos quais 108 em unidades de Cuidados Intensivos, menos 7 do que ontem.