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Lançado site e norma sobre saúde mental em tempos de pandemia

19/04/2020
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“Medo, angústia e ansiedade são sentimentos presentes, com maior ou menor intensidade, nas nossas vidas. Como sempre, os mais vulneráveis são os mais expostos”, afirmou este domingo a Ministra da Saúde, Marta Temido, adiantando que, neste contexto, “o Programa Nacional de Saúde Mental e a Direção-Geral da Saúde, juntamente com as coordenações regionais de saúde mental, entenderam publicar uma norma específica para as respostas em saúde mental no contexto da pandemia COVID-19”.

Um modelo, explicou, que estabelece três ordens de prioridade: as pessoas com doença mental, a população em geral e os profissionais de saúde. Paralelamente, foi lançado um site dedicado à saúde mental, dentro do microsite COVID-19 da DGS, com divulgação de informação importante acerca do tema.

Marta Temido falava aos jornalistas na conferência de imprensa de atualização dos dados da COVID-19, onde também esteve presente o diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, Miguel Xavier.

Na sua intervenção, o responsável começou por explicar que existem várias situações que podem afetar a saúde mental da população em contexto de pandemia, nomeadamente o medo, a disrupção social e o confinamento.

“Tudo isto junto faz com que a saúde mental dos portugueses possa sofrer. Não quer dizer que as pessoas, pelo facto de terem estes problemas, vão ter doença mental. Não é nada disso. Podem é ter problemas de natureza psicológica, que têm a ver com a ansiedade, com a preocupação em relação ao futuro”, esclareceu, destacando que estes podem traduzir-se em insónias e alterações do apetite, por exemplo.

A maior parte das pessoas, destacou, terá problemas “menores”, de “pequena intensidade”, embora haja “um conjunto de pessoas que vão ter problemas de maior intensidade”. É nos cuidados de saúde primários, adiantou Miguel Xavier, que a maioria das pessoas encontrará resposta para os seus problemas, sendo que apenas uma pequena parte precisará de recorrer a serviços de psiquiatria.

O diretor do Programa lembrou ainda que no novo site é possível aceder a informação sobre a COVID-19 e o seu impacto na saúde mental, bem como sobre os locais onde é possível encontrar resposta quando o sofrimento é moderado ou mais intenso.

“Uma saída desnecessária pode deitar tudo a perder”.

Ainda sobre este tema, a Ministra da Saúde referiu que “ter boa saúde mental é também ter capacidade de resistir e permanecer num rigoroso cumprimento daquilo que se espera de todos nós, que é a manutenção do isolamento social até que tenhamos estabilidade”.

“Um gesto imponderado, uma saída desnecessária, podem deitar tudo a perder. Não seríamos verdadeiros com os portugueses e as portuguesas se não disséssemos isto frontalmente. Neste momento em que todos gostaríamos de estar a viver as nossas vidas de outra forma, porque o tempo é de primavera, porque estamos fartos e cansados de estar em casa, de não nos podermos abraçar […] temos de ser muito ponderados”, apelou Marta Temido.

Por fim, a Ministra explicou que “não há qualquer contradição entre este dever e aquilo que sejam organizações que possam vir a ser feitas de sinalização de determinados dias específicos da nossa vida coletiva, porque faremos essa organização dentro destas mesmas regras e sabemos que podemos contar com todos para isso”.

Consulte a Norma nº 011/2020 de 18/04/2020.