Voltar

INSA já detetou 600 mutações do novo coronavírus

04/06/2020
novo coronavírus banner

O Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, revelou esta quarta-feira que o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) já analisou 800 sequências do genoma do novo coronavírus (SARS-CoV-2), obtidas de amostras colhidas em 116 concelhos, tendo detetado 600 mutações.

Em declarações aos jornalistas na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia da COVID-19, o governante adiantou que o INSA “está também a colaborar ativamente com as autoridades de saúde locais de forma a perceber o cenário regional de cadeias de transmissão e pontos de entrada do vírus, informação que será de grande utilidade para a adequação de respostas locais”.

Também presente na conferência de imprensa, Fernando Almeida, presidente do INSA, explicou que “em média, cada vírus tem uma, duas ou mais mutações por semana” em relação ao vírus inicial. Neste momento, ressalvou, “há uma certeza que é possível transmitir”: cerca de 90% das 600 mutações identificadas são iguais à maioria do mesmo grupo genético que mais circula na Europa.

Sobre o inquérito serológico português, Fernando Almeida adiantou que “já está no terreno, com a colaboração de muitos hospitais e da Associação Nacional de Laboratórios Clínicos”, prevendo-se que esta fase se prolongue até 11 ou 12 de junho. Desta forma, é expectável que na primeira ou na segunda semana de julho seja possível avançar com alguns resultados preliminares.

Na sua declaração inicial, Lacerda Sales adiantou que existem quase 493.000 utentes inseridos na plataforma Trace COVID, que permite a vigilância de casos confirmados ou suspeitos de COVID-19. Os 73.000 profissionais de saúde que têm acesso ao sistema registam, neste momento, cerca de 15.500 pessoas em vigilância clínica no país.

O governante destacou que “a reserva de equipamentos de proteção individual está estável”, contando atualmente com mais de 30 milhões de máscaras cirúrgicas e mais de 6 milhões de máscaras FFP2.

No que diz respeito aos rastreios, os esforços estão concentrados “nas empresas da Grande Lisboa e até à meia-noite de ontem [quarta-feira] foram feitas cerca de 9.000 colheitas de amostras biológicas nestas empresas”, estando previstas cerca de 5.000 colheitas para hoje.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), Portugal regista esta quinta-feira 33.592 casos confirmados de COVID-19, mais 331 do que no dia de ontem, o que corresponde a um aumento de 1%.

Por outro lado, nas últimas 24 horas registaram-se mais 244 pessoas recuperadas da COVID-19, o que eleva para 20.323 os casos de pessoas curadas, ou seja, o equivalente a 60.5% do total de infetados.

Segundo a última atualização, verificam-se 445 casos em internamento, dos quais 58 em unidades de Cuidados Intensivos, e 1.455 óbitos.

A taxa de letalidade global é de 4.3% e sobe para os 17.3% na população acima dos 70 anos. Dos casos ativos, 96.2% estão a recuperar no domicílio e 3.8% em internamento, sendo que 0.5% estão em unidades de Cuidados Intensivos e 3.3% em enfermaria.