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INFARMED pede prudência na interpretação do estudo com dexametasona

17/06/2020
imagem computador medico

O presidente do Conselho Diretivo do INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), Rui Santos Ivo, admitiu esta quarta-feira que a dexametasona pode já estar a ser usada em Portugal no combate a casos graves de COVID-19, mas pediu cautela na interpretação dos resultados do estudo que mostra que o fármaco pode ter efeitos positivos na redução da mortalidade provocada pela infeção.

Questionado sobre este medicamento na conferência de imprensa de atualização dos números da pandemia, Rui Ivo esclareceu que “está autorizado há muitos anos, desde os anos 60, portanto é um medicamento comum em várias situações, nomeadamente pelas suas caraterísticas de anti-inflamatório e de imunossupressor”.

No entanto, ressalvou, “não estamos a falar de um antirretroviral, de um medicamento que se dirige especificamente à infeção por COVID”. Embora os resultados indiquem que “há um efeito positivo no sentido de reduzir a mortalidade” nos doentes em situação mais grave, o presidente do INFARMED considera que “devemos aguardar pela análise que for feita sobre eles”.

“É uma informação boa, porque estamos a falar de um medicamento conhecido, que está em utilização”, sublinhou, reforçando uma “mensagem de prudência”: “Devemos aguardar pelos dados, pela análise para conhecermos em detalhes exatamente quais são as condições que devem ser consideradas na instituição destas terapêuticas nestes doentes”.

Sobre as notícias de medicamentos com eficácia no combate à COVID-19, o Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, disse que o Governo acompanha “com entusiasmo” as informações, mas também com “cautela”.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS), Portugal registou mais 336 casos confirmados de COVID-19 nas últimas 24 horas, ou seja, mais 0,9%, o que eleva para 37.672 o número total de infetados.

Por outro lado, contabilizam-se mais 368 casos de recuperação da doença no país, que soma agora 23.580 pessoas curadas, ou seja, 62.6% dos casos confirmados.

Neste momento, Portugal tem 12.569 casos ativos de COVID-19, dos quais 96.5% a recuperar no domicílio e 3.4% internados (2.9% em enfermaria e 0.5% em unidades de Cuidados Intensivos).

Nas últimas 24 horas ocorreu mais um óbito relacionado com a pandemia, pelo que o país conta agora com 1.523 mortes.