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Hospitais estudam sequelas deixadas pela COVID-19

04/06/2020
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Os hospitais portugueses estão a acompanhar os doentes que tiveram doença (COVID-19) mais grave para perceber que tipos de sequelas podem existir e se são permanentes, adiantou hoje a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia da COVID-19.

“[As sequelas] têm sido estudadas em todos os países que têm tido COVID”, adiantou a responsável, acrescentando que “as pessoas que estiveram internadas e que tiveram doença mais grave são aquelas que podem ter sequelas”.

Graça Freitas explicou que “algumas [sequelas] começam a ser visíveis mais tardiamente”. O que está a ser feito “é um acompanhamento destes doentes por parte das equipas que os assistiram enquanto estiveram internados”.

Com o seguimento das pessoas ao longo do tempo será possível “verificar se ficaram com sequelas, nomeadamente a nível do aparelho respiratório”.

Em declarações aos jornalistas, a especialista em saúde pública ressalvou que “o acompanhamento dos doentes implica bastante tempo para perceber se [as sequelas] são permanentes ou se vão desaparecendo ao longo do tempo”.

“São estudos que estão a ser feitos em Portugal, pelos nossos hospitais, pelos nossos clínicos”, referiu a Diretora-Geral da Saúde, acrescentando que Portugal irá contribuir “para o que é a ciência nesta matéria”.

Depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter anunciado que retomou os testes com a hidroxicloroquina nos doentes com COVID-19, Graça Freitas disse que Portugal vai manter uma posição “cautelosa” e não vai recomendar o uso do fármaco no tratamento destes doentes.

“A Direção-Geral da Saúde e o Infarmed estão a acompanhar a situação e por enquanto vamos ser cautelosos e não vamos fazer a recomendação da utilização em Portugal. Vamos acompanhar os ensaios e o que se passa nos outros países”, sublinhou, ressalvando que “isto é uma situação mutável e que evolui todos os dias”.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado pela Direção-Geral da Saúde, Portugal regista esta quinta-feira 33.592 casos confirmados de COVID-19, mais 331 do que no dia de ontem, o que corresponde a um aumento de 1%.

Por outro lado, nas últimas 24 horas registaram-se mais 244 pessoas recuperadas da COVID-19, o que eleva para 20.323 os casos de pessoas curadas, ou seja, o equivalente a 60.5% do total de infetados.

Segundo a última atualização, verificam-se 445 casos em internamento, dos quais 58 em unidades de Cuidados Intensivos, e 1.455 óbitos.

A taxa de letalidade global é de 4.3% e sobe para os 17.3% na população acima dos 70 anos. Dos casos ativos, 96.2% estão a recuperar no domicílio e 3.8% em internamento, sendo que 0.5% estão em unidades de Cuidados Intensivos e 3.3% em enfermaria.