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Diretora-Geral da Saúde pede cautela com testes serológicos

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Graça Freitas, Diretora-Geral da Saúde, alertou esta sexta-feira que será necessário “ter muitas cautelas na interpretação” dos testes serológicos. Mesmo que venham a servir para aferir a imunidade, “vamos considerar que todas as pessoas vão ter que ter as medidas de prevenção” que têm vindo a ser recomendadas, disse aos jornalistas, na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia de COVID-19.

Segundo a especialista em saúde pública, há poucos dias foi publicado um estudo feito numa zona onde existiram muitos casos de doença, mas “as notícias não são muito animadoras”. “Cerca de 14% dessa população tinha de facto anticorpos, mas não se sabe se esses anticorpos são suficientes para dar proteção e se a proteção vai ser duradoura”, esclareceu.

Por isso, a Diretora-Geral da Saúde considera que será necessário ter muito cuidado com os testes serológicos. “Não quer dizer que não os façamos”, ressalvou, recordando que estão a ser feitos em algumas circunstâncias e que o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) “tem programado um estudo piloto exatamente para ver em diferentes populações como é o comportamento serológico, a capacidade que as pessoas tiveram de fabricar anticorpos quando estiveram expostas ao vírus”.

Estes estudos “ajudam a perceber esta questão da serologia, ou seja, se alguém que esteve infetado desenvolveu anticorpos, em que quantidade e se os níveis são protetores”. No entanto, advertiu Graça Freitas, “não vamos pensar que isto é a resposta a todos os nossos anseios. É apenas mais uma pista da ciência para perceber o grau de imunidade da população”.

Por fim, a responsável referiu que, “à medida que o tempo passar, se os testes serológicos indicarem que uma parte da população está protegida”, então, a atuação da DGS será adaptada à nova realidade científica.