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Diretora-Geral da Saúde lembra que não existem provas de reinfeção

15/07/2020
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A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, disse esta quarta-feira que “não há nenhuma prova inequívoca, nem em Portugal nem em nenhum país, que exista reinfeção” de alguém que tenha tido COVID-19.

O que se sabe até à data, explicou, é que algumas pessoas que tiveram a doença podem ter um teste positivo depois de dois negativos, por exemplo, “mas isso não significa nem que as próprias estejam reinfectadas, nem que transmitam”.

Na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia, a especialista em saúde pública esclareceu que esses testes podem dar positivo devido à existência de partículas do vírus. “Mas não quer dizer que sejam partículas viáveis de vírus, que são capazes de provocar outra vez doença ao próprio e a outros”.

Por outro lado, há pessoas nas quais são detetados anticorpos, mas não se sabe a sua duração nem se têm capacidade protetora. E existe ainda um outro mecanismo imunitário – as chamadas ‘células T” -, que pode desencadear alguma imunidade mesmo sem presença de anticorpos.

“São tudo linhas de investigação, mas não há neste momento evidência de que haja reinfeção nem que as pessoas que vêm a testar positivo mais tarde tenham capacidade de transmitir”, sublinhou. Graça Freitas alertou que aplica-se o princípio da cautela, portanto todas as pessoas devem manter as medidas que têm vindo a ser divulgadas.

Relativamente às sequelas, a Diretora-Geral da Saúde disse que há estudos que indicam que algumas pessoas ficam com sequelas da doença, nomeadamente a nível pulmonar, mesmo em situação mais benignas. Contudo, “são apenas estudos, às vezes feitos em amostras pequenas de doentes e ainda passou relativamente pouco tempo para saber se são permanentes”.

A especialista relembrou que temos que aguardar que passe mais tempo para perceber se vão ficar sequelas definitivas ou se são passageiras. “Esta é uma doença relativamente recente”, frisou, pedindo cautela na análise das informações.

O boletim epidemiológico publicado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que foram registados mais 560 casos de recuperação nas últimas 24 horas, o que representa um aumento de 1.8% em relação ao dia de ontem. Desta forma, o país contabiliza agora 32.110 pessoas recuperadas da COVID-19 desde o início da pandemia.

Por outro lado, verificam-se mais 375 casos confirmados de COVID-19 no país, o que corresponde a um crescimento de 0.8%. Nas últimas 24 horas registaram-se mais 6 internamentos, pelo que o país conta agora com 478 pessoas internadas. Existem, ainda, 68 doentes em unidades de Cuidados Intensivos, o que significa uma redução de um em relação ao dia de ontem.

A última atualização indica ainda a existência de mais oito mortes relacionadas com a pandemia da COVID-19. Com este número, a taxa de letalidade situa-se nos 3.5% e nos 16.1% nos doentes com mais de 70 anos.