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DGS publica orientação sobre gravidez e parto

31/03/2020
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A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou orientação sobre gravidez e parto, que inclui medidas desde os cuidados pré-hospitalares em grávidas com suspeitas ou infeção COVID-19 até à assistência ao parto.

Segundo o documento, “as grávidas devem ter cuidados de prevenção, investigação e diagnóstico semelhantes aos da restante população portuguesa”. Quando são grávidas com COVID-19 assintomáticas ou com queixas ligeiras, devem manter a sua vigilância habitual. Se for necessário internamento, este deverá ser em isolamento, de acordo com critérios clínicos obstétricos ou infeciosos.

No âmbito dos cuidados pré-hospitalares, as grávidas assintomáticas com contacto com casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 ou com sintomas sugestivos de COVID-19 devem realizar o teste laboratorial para SARS-COV-2. A recomendação é para permanecerem em casa, mas, nas situações de sintomas graves ou outras queixas obstétricas consideradas graves e/ou urgentes, as grávidas devem dirigir-se imediatamente a uma urgência hospitalar, preferencialmente no seu próprio veículo.

Relativamente à vigilância de rotina, a orientação diz que as instituições devem privilegiar as teleconsultas e a autoavaliação domiciliária, sempre que os procedimentos não exigirem a presença física. Se a grávida estiver de quarentena, os procedimentos devem ser adiados, sem comprometer a sua segurança clínica.

“Os procedimentos que não possam ser adiados, tais como o rastreio combinado do 1.º trimestre e a ecografia morfológica, devem ser agendados para o final do dia”, indica o documento, destacando que “os profissionais de saúde devem utilizar os EPI adequados”.

Quando há necessidade de prestar cuidados de saúde urgentes a grávidas, as instituições devem fazer triagem e aconselhamento telefónico prévio à vinda das doentes, que devem seguir circuitos definidos para evitar cadeias de transmissão.

Em situações de internamento por COVID-19, a abordagem destas grávidas “deve ser multidisciplinar, envolvendo obstetras, internistas, intensivistas, infeciologistas, pneumologistas, anestesiologistas e neonatologistas, de acordo com a possibilidade e necessidade”. Se estiver internada num serviço de obstetrícia, a grávida deve preferencialmente estar numa ala separada das restantes grávidas em que não haja suspeita de infeção, em quartos individuais e de pressão negativa.

Só os profissionais que prestam assistência à grávida devem entrar no espaço de isolamento. “A presença de acompanhante poderá ser permitida apenas se a instituição considerar que tem asseguradas todas as condições de segurança para evitar o contágio”, diz o documento, realçando que “deve ser permitido à grávida manter consigo o telemóvel, no sentido de minorar os efeitos do isolamento e de poder comunicar com a equipa de saúde”.

Segundo a evidência disponível até à data, existe um aumento da incidência de parto pré-termo em grávidas com COVID-19, quer de causa iatrogénica (por complicações respiratórias maternas), quer associado à rotura prematura de membranas ou à contratilidade provocada por infeção materna.

No que diz respeito à assistência ao parto de grávidas com suspeita ou infeção COVID-19, “recomenda-se fortemente a utilização de analgesia epidural no trabalho de parto, como forma de evitar a anestesia geral, caso seja necessário realizar uma cesariana urgente”, uma vez que “a anestesia geral para realização de cesariana condiciona um aumento do risco de disseminação do vírus por aerossolização”. Por este motivo, lê-se na orientação, “toda a equipa presente no Bloco Operatório deve estar equipada com EPI adequado para procedimentos invasivos, reduzindo-se o mais possível o número possível de pessoas dentro da sala”.

Após o parto, o contacto pele a pele está desaconselhado. Embora não exista evidência de transmissão vertical da doença, recomenda-se que todos os recém-nascidos de mães com COVID-19 sejam testados e é aconselhado também um acompanhamento neonatal, pelo menos no primeiro mês de vida.

A separação mãe-filho após o parto é um assunto controverso, pois ao risco de contágio de recém-nascido opõem-se as vantagens da ligação e amamentação precoces. Por isso, “é necessário que as instituições de saúde tomem decisões individualizadas, tendo em conta a vontade da mãe, as instalações disponíveis no hospital e a disponibilidade das equipas de saúde”. Não havendo separação mãe-filho, “a mãe deve lavar cuidadosamente as mãos e colocar a máscara cirúrgica antes de todos os contactos com o recém-nascido”.

Como não existe evidência sustentada de risco de transmissão viral através do leite materno, nas situações de separação mãe-filho, está recomendada a extração do leite com bomba e o seu desperdício até a mãe ter dois testes negativos. “Esta recomendação não dispensa a avaliação médica caso a caso e a necessidade de ter em consideração a evolução da literatura científica”.

Destaques

  • As grávidas assintomáticas com contacto com casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 ou com sintomas sugestivos de COVID-19 devem realizar o teste laboratorial para SARS-COV-2.
  • Os procedimentos que não possam ser adiados, tais como o rastreio combinado do 1.º trimestre e a ecografia morfológica, devem ser agendados para o final do dia.
  • Só podem ser permitidos acompanhantes se a instituição assegurar todas as condições de segurança para evitar o contágio.
  • O contacto pele a pele entre a mãe e o bebé está desaconselhado
  • Os bebés de mães com COVID-19 devem ser testados
  • No que diz respeito à separação mãe-filho, as instituições devem tomar decisões individuais, tendo em conta instalações disponíveis no hospital e a disponibilidade das equipas de saúde.
  • Se não houver separação mãe-filho, a mãe deve lavar cuidadosamente as mãos e colocar a máscara cirúrgica antes de todos os contactos com o recém-nascido.
  • Se houver separação, está recomendada a extração do leite com bomba e o seu desperdício até a mãe ter dois testes negativos.