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Dezoito casos da variante do Reino Unido identificados na Madeira

29/12/2020
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O investigador João Paulo Gomes, que coordena o estudo de variabilidade genética do SARS-Cov-2, adiantou esta terça-feira que o Instituto Ricardo Jorge conta ter nos próximos dias resultados da investigação que está a efetuar para determinar se a nova variante do vírus detetada no Reino Unido está a circular em Portugal continental. Até ao momento, lembrou, foram identificados 18 casos da variante na Madeira.

O investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) falava aos jornalistas na conferência de imprensa de atualização dos dados da COVID-19.

“Dentro de alguns dias teremos novidades”, avançou. Neste momento, prosseguiu, “passamos para uma segunda fase. Isto tudo no âmbito de um megaestudo de sequenciação genómica do vírus do SARS-Cov-2, liderado pelo Instituto Ricardo Jorge e com uma colaboração muito intensa do Instituto Gulbenkian de Ciência, no qual já nos foi possível sequenciar mais de 2.200 vírus”.

Os investigadores estão agora a focar-se na deteção da nova variante e a seguir duas pistas, uma delas relacionada com o historial de viagem ao Reino Unido.

O Instituto Ricardo Jorge está a contactar os laboratórios onde os diagnósticos foram efetuados, para que seja enviada essa amostra.

A segunda pista prende-se com o facto de se ter constatado que alguns testes utilizados para o diagnóstico da covid-19 – e que se baseiam em várias regiões do vírus – “por vezes falham uma dessas regiões”.

“É com base nisto que agora estamos a perseguir esta variante no país e a tentar encontrar outras também”, assegurou o investigador.

“Estamos, neste momento, já a receber amostras de todo o país, muitas amostras do aeroporto de Lisboa e aeroporto do Porto”, indicou.

“Os laboratórios têm dado uma resposta muito positiva às solicitações para o envio das amostras que cumpram estes critérios e posso dizer também que alguns destes laboratórios, sem terem sido contactados, contactaram o Instituto Ricardo Jorge, a dizer que tinham amostras suspeitas”, referiu.

“Iniciámos já a segunda fase de pesquisa e dentro de uns dias podemos fazer uma atualização sobre o facto de esta variante estar já a circular ou não no continente, pois na Madeira já sabemos que está. Dentro de alguns dias teremos novidades”, assegurou.

João Paulo Gomes advertiu que se trata de “um trabalho contínuo”, que não vai ficar por aqui.

  “Seguindo também as recomendações da Organização Mundial de Saúde de ontem [segunda-feira] vamos intensificar os trabalhos de vigilância. Só assim podemos identificar variantes genéticas que tal como esta têm um potencial de transmissão muito maior do que o normal e esperemos que não tenham outro tipo de potencial em termos de agressividade e que nos surpreendam negativamente”, declarou.