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Curva epidémica tem tendência decrescente

30/04/2020
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A explicação foi dada esta sexta-feira pela Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas: “A epidemia, felizmente, não está a crescer. Todos os dias temos casos, mas a curva, apesar de ter altos e baixos […] tem uma tendência decrescente”.

Graça Freitas falava aos jornalistas na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia de COVID-19, onde foi questionada se a economia estaria a sobrepor-se à saúde e se o país não deveria esperar mais tempo para desconfinar.

“Estamos ainda em epidemia, mas a tendência é decrescente. Estamos a descer a rampa”, adiantou, ressalvando que as epidemias evoluem sempre por vagas ou por ondas. “Começam devagar, têm subida, um pico ou patamar, e começam a descer. A nossa epidemia está francamente a descer, apesar de todos os dias termos casos, porque ela não terminou”, esclareceu.

Relativamente ao R (número médio de contágios por cada infetado), a responsável diz que as autoridades de saúde aguardam o cálculo dos últimos dias. No entanto, advertiu, não é apenas o R que é tido em conta para fazer o diagnóstico da situação atual. Adicionalmente, são contabilizados os novos casos que surgem diariamente, o número de casos graves e o de óbitos.

“Do ponto de vista da epidemia, o R é apenas um dos fatores que deve ser tido em conta, mas nunca pode ser o único. É um conjunto de fatores”, referiu, relembrando que tem de existir um equilíbrio entre a dinâmica da epidemia e a dinâmica do desconfinamento. “É deste equilíbrio que vamos ter que viver nos próximos tempos, por isso é que é tão importante que, mesmo desconfinando, tenhamos que continuar a observar novas regras de controlo de infeção”, acrescentou.

Questionada sobre a reabertura das creches, a Diretora-Geral da Saúde disse que a população destes espaços, pela sua idade, dificilmente acata medidas de saúde pública, pelo que há medidas genéricas que podem ser adotadas. “Nós estamos a publicar uma norma especificamente para cuidados a ter com estas crianças tão pequenas […] para minimizar o risco, que nunca será zero”, afirmou.

O Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, alertou que “o levantamento do estado de emergência obriga-nos a estar ainda mais alerta”, porque “com o desconfinamento progressivo temos responsabilidades acrescidas de seguir ainda de forma mais premente as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS)”.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado esta quinta-feira pela DGS, Portugal regista hoje 989 mortos associados à COVID-19 (mais 16 do que na quarta-feira) e 25.045 infetados (mais 540).