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Alterações no local de residência podem explicar discrepância nos números por região

03/06/2020
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A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, explicou esta quarta-feira que a discrepância nos números de casos de COVID-19 numa determinada região poderá estar relacionada com a alteração do local de residência da pessoa infetada.

Para explicar a discrepância, a especialista em saúde pública deu como exemplo uma situação que aconteceu ontem: um caso positivo reportado na Madeira de uma pessoa que estuda na região Centro (continente). Como viajou para a Madeira, o caso começou por ser reportado aí, mas entretanto foi retirado e passou a integrar os números de Coimbra (onde também tem residência).

“É difícil de entender quando se olha só para os números, mas temos que perceber que as pessoas se mexem”, afirmou a Diretora-Geral da Saúde, na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia da COVID-19.

Por vezes, os casos são contabilizados de acordo com o local onde são detetados, mas depois as autoridades de saúde acabam por descobrir que a pessoa não vive naquele local.

“As pequenas diferenças têm a ver com a correção do verdadeiro local de residência das pessoas, pelo que de um dia para o outro há pequenas alterações”, esclareceu.

Questionada sobre as regras para albufeiras e praias fluviais, a responsável adiantou que devem ser aplicadas as mesmas regras que vigoram para as praias, nomeadamente o distanciamento social, a higienização das mãos e a etiqueta respiratória. “Medidas que fazem a diferença entre infetar e ser infetado e não infetar nem ser infetado”, frisou, acrescentando que “estas regras “aplicam-se a todas as praias, praias fluviais, albufeiras”.

Sobre a possibilidade de existência de coronavírus na água, Graça Freitas explicou que a diluição dos vírus em grandes lençóis de água faz com que o risco de transmissão seja ínfimo. “Será segura a sua utilização”, afirmou a especialista.

Em declarações aos jornalistas, a Diretora-Geral da Saúde disse também que a decisão sobre a realização da Volta a Portugal compete ao Governo, cabendo à Direção-Geral da Saúde “observar os planos de contingência” apresentados pela Federação Portuguesa de Ciclismo e emitir um parecer.

“A decisão para a existência ou não desta prova e de outras provas de ciclismo ultrapassa-nos completamente, é uma decisão do Governo. À DGS, com o apoio do Ministério [da Saúde], compete-nos, de facto, observar os planos de contingência que nos serão presentes e verificar se existe um código de conduta, e emitir, tal como fizemos para o futebol, um parecer, dizendo se estamos ou não de acordo com o que nos foi proposto. Essa é a metodologia que nós seguiremos”, explicou.

De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), registam-se 33.261 casos confirmados de COVID-19, mais 366 do que ontem, o que representa um aumento de 1.1%.

Nas últimas 24 horas verificaram-se mais 210 casos de recuperação, o que elevou para 20.079 o número total de recuperados, e mais 11 mortos, pelo que Portugal contabiliza agora 1.447 óbitos relacionados com a COVID-19.