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Ajuntamentos e aglomerados estão contraindicados, lembra a Diretora-Geral da Saúde

29/05/2020
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A Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, disse esta sexta-feira que “há uma tendência para aliviar o comportamento” de proteção contra a COVID-19, sobretudo entre os jovens, mas, lembrou, “a única forma de o vírus não se transmitir é nós evitarmos o contacto físico, próximo, os aglomerados de pessoas”.

“Os ajuntamentos, as concentrações e os aglomerados estão contraindicados”, sublinhou a especialista em saúde pública, acrescentando que a utilização de máscaras faciais funciona também como medida de proteção em algumas situações.

“As pessoas jovens, de facto, têm tendência a ter doença ligeira, pouco grave, mas isto não é uma constipação. Mesmo que tenham doença ligeira, podem transmitir a grupos de risco. Podem transmitir a pessoas mais idosas, aos seus familiares, aos tios, aos pais, aos avós”, explicou a responsável, na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia da COVID-19.

Se não existirem cuidados, “vão perpetuar a transmissão”. “Não podem continuar a tolerar-se comportamentos que ponham em risco a saúde dos que queremos proteger, que são os mais vulneráveis”, disse Graça Freitas.

A Diretora-Geral da Saúde deixou um apelo para que a população jovem “evite concentrações, mantenha a distância física, altere o seu comportamento”, pois “numa cadeia de transmissão pode ser apanhado um idoso ou um doente” .

O alerta foi deixado quando a responsável fazia um ponto de situação da região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), onde existem muitos adultos jovens infetados com COVID-19.

Segundo Graça Freitas, na região de Lisboa e Vale do Tejo há neste momento cerca de 4.400 doentes ativos, ou seja, que não foram dados como curados. Até ao momento, 5.700 recuperaram e voltaram à sua vida normal e 346 morreram devido à infeção provocada pelo novo coronavírus.

“É uma situação complexa, porque tem várias causas”, disse, acrescentando que existem aglomerados ou surtos de pequena ou grande dimensão, que se concentraram em várias circunstâncias. Referia-se, por exemplo, a seis grandes obras que concentraram cerca de 130 doentes – não quer dizer que todos tenham contraído infeção na obra -, a 340 casos em empresas, aos surtos relacionados com lares de idosos, em diversos bairros e em ambiente habitacional.

Questionada sobre as empresas de trabalho temporário, a Diretora-Geral da Saúde lembrou as medidas que devem ser adotadas no transporte de trabalhadores, que não deve ser feito com grandes aglomerados e que deve permitir a distância entre as pessoas. Adicionalmente, deve também ser fornecida uma máscara aos trabalhadores.

De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), Portugal regista esta sexta-feira 31.946 casos confirmados de COVID-19, mais 350 do que ontem, ou seja, mais 1.1%.

Por outro lado, verificam-se 529 casos em internamento, dos quais 66 em unidades de Cuidados Intensivos, e 1.383 óbitos relacionados com a infeção.

Nas últimas 24 horas registam-se ainda mais 274 casos de recuperação, elevando para 18.911 o número total de recuperados (59.2% do total de infetados).