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2.9% da população em Portugal tem anticorpos contra o novo coronavírus

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A percentagem de população residente em Portugal com anticorpos contra o novo coronavírus (seroprevalêcia) é estimada em 2,9%, o que indica que houve “uma baixa circulação do novo coronavírus na população portuguesa”, de acordo com os resultados do primeiro Inquérito Serológico Nacional à COVID-19, anunciados hoje por Ana Paula Rodrigues, coordenadora do estudo.

“A seroprevalência ainda é baixa, como estávamos à espera, porque não tivemos uma epidemia intensa em Portugal, pelo que devem ser mantidas todas as medidas de prevenção individual e coletiva”, salientou a responsável.

Em declarações aos jornalistas na conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia, Ana Paula esclareceu que este estudo “teve como principais objetivos caracterizar a distribuição dos anticorpos específicos contra o novo coronavírus, de forma a determinar o nível de imunidade na população residente em Portugal”.

Participaram no estudo 2.301 pessoas residentes em Portugal com idade superior a um ano, cujas amostras foram recolhidas entre 21 de maio e 8 de julho.

Segundo a coordenadora do inquérito, foram encontrados valores semelhantes entre os grupos etários, que variaram de 2,2% entre os 10 e os 19 anos e 3,2% no grupo etário dos 40 aos 59 anos.

Por região de saúde, Lisboa e Vale do Tejo teve uma seroprevalência de 3,5%, sendo o Alentejo aquela em que se verificou um nível mais baixo de anticorpos (de 1,2%). “Estas diferenças não têm significado estatístico, o que quer dizer que não podemos interpretar que haja diferenças significativas entre as regiões”, ressalvou a responsável.

A coordenadora do estudo destacou também que foi encontrado um valor mais elevado de anticorpos nas pessoas com ensino secundário face a quem tem ensino superior ou outros níveis de escolaridade, o que poderá estar relacionado com “o facto de poderem ter sido estas pessoas a trabalhar mais durante este período e a ter um maior número de contactos”.

Relativamente às diferenças entre homens e mulheres, o sexo masculino apresentou um nível mais elevado de anticorpos (4,1%), o que também está relacionado com o nível de escolaridade.

“Naturalmente, o nível de anticorpos foi mais elevado naquelas pessoas que referiram ter tido um contacto prévio com um caso suspeito ou conhecido de COVID-19 e nas pessoas que referiram ter tido sintomatologia anterior que possa ser relacionada com a COVID”, referiu.

Estes números, destacou Ana Paula Rodrigues, indicam “que houve uma baixa circulação do novo coronavírus na população portuguesa, muito provavelmente relacionada com as medidas de saúde pública instituídas logo no início da epidemia”.

Pelo princípio da precaução em saúde pública, “continua a recomendar-se a todas as pessoas, independentemente do seu nível de anticorpos, que tomem as mesmas medidas de precaução que estão preconizadas a nível individual e coletivo”.